11 de fevereiro de 2009

tessitura da Desilusão

Dois fios apresentam-se paralelos, fazem-se acompanhar por pequenas pedras sobrepostas. As pedras entreolham-se surpreendidas com a insolvência das linhas que se recusam a permanecer apáticas. O horizonte apresenta-se enigmático e as linhas, desenvoltas, apressam-se a descobrir esse enigma, crêem que seguindo em direcção ao fim que não vêem, alcançarão a quimera. As pedras permanecem mudas, as suas opiniões e reflexões fazem-se com o silêncio amigo da prudência. Zelam elas pela pacatez da quietude conquistada. Não obstante, as linhas querem empreender, fartaram-se de seguir o mesmo curso e já sentem a apatia desfazer-lhes as vísceras.

Ignorando as pedras galgam tudo em busca desse horizonte promissor. A viagem é atribulada, chovem vitupérios de todos aqueles que, constantes, são felizes.

Riem! – os pássaros que, sabendo o que esconde o horizonte, aguardam para ver o desfecho de tal determinação.

As linhas olham as mesmas pedras repetirem-se, notam um céu que lhes parece imutável, desconfiam de algo mas continuam a olhar o horizonte como se nada mais houvesse.

Demorará ainda uma eternidade sobre uma eternidade maior até que as linhas, desalentadas, olhem para baixo e reparem na impossibilidade do seu intento. Há muito que foram pregadas ao chão e os seus trajectos delimitados a caminhos delimitados pelo Homem.

Desiludem-se, conformam-se e continuam, por fim, a levar as enormes caixas aos mesmos destinos de sempre, acompanhados pela troça de agora.